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Soundtrack – Novo filme com Selton Mello

Apesar de estrear no mesmo final de um dos filmes mais esperados do ano (Homem Aranha de Volta ao Lar), o pouco falado SOUNDTRACK merecia muito mais propaganda e espaço. O novo filme brasileiro, de fotografia e estética impecável, é diferente de tudo já visto na cinematografia nacional.

Soundtrack, falado 80% em inglês, é o novo filme da dupla de roteiristas e diretores que respondem pelo nome artístico 300ml. A dupla ficou conhecida com o ótimo curta metragem que mostra Selton Mello e Seu Jorge discutindo uma teoria onde todos os filmes de Tarantino se interligam. Repetindo o trabalho com a dupla de atores, eles surpreendem com o extremamente sensível e igualmente inteligente Soundtrack, que discute ciência e arte.

Soundtrack: Uma viagem ao meio do nada

No filme, Selton Mello interpreta Cris, um fotógrafo que viaja para uma base de pesquisa na Antártica em busca de um novo sentido para sua arte. Com uma máquina fotográfica e muitos planos na cabeça, Cris se isola do mundo; mas acaba vivendo e sentindo muito mais do que imaginava.

No local há apenas mais 4 homens, cientistas e pesquisadores. Inicialmente, Cris é visto como um fútil insensível, que acha divertido estar naquela situação como um experimento estético; enquanto para eles aquela é uma séria e difícil situação de isolamento e de dedicação profissional. Desde o início fica clara a grande discussão do filme: ciência versus arte, em várias instâncias e formas.

Soundtrack é um filme que trata de relacionamentos, expectativas, visões diferentes de mundo e amizade. O filme é muito bonito e tem um ritmo de desenvolvimento muito particular. Aos poucos, toda a experiência de Cris vai tomando proporções e sentidos que ele mal imaginava. Em êxtase, ele mergulha numa viagem de autoconhecimento sem nem perceber – e o expectador experimenta aflições, aprendizados e emoções junto com ele.

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Sem dúvida um novo destaque da produção nacional

A estética do filme é impecável e a forma como ele foi feito é realmente inacreditável para quem assiste. Apesar de toda a história se passar na congelante Antártica, o filme foi todo filmado em estúdio. Ainda mais impressionante? O estúdio era na Barra da Tijuca, no quente e tropical estado do Rio de Janeiro.

Não é só a estética da neve em si que é muito convincente – são todas as cores, as noções de distância e imensidão, o vazio, o frio nas ações e nos olhares dos personagens… Toda a pós produção do filme está sensacional: da edição do som à cada tratamento de cor e luz. Você realmente não duvida nem por um segundo que aquele ambiente e que aqueles sons são reais. Incrível.

Mas o filme se destaca e merece elogios em vários outros aspectos também. As atuações, por exemplo, são muito boas. Além de Selton Mello que faz um trabalho lindo e de Seu Jorge que também surpreende, o inglês Ralph Ineson emociona com todas as ondulações de seu personagem. A trilha sonora também, é tão essencial para a história que até virou o nome do filme. E as fotografias feitas pelo personagem frustrado são hoje parte de uma exposição.

Na coletiva de imprensa alguém descreveu o filme como um filme que mexe com todos os nossos sentidos – e é verdade. É um filme sobre arte que é extremamente artístico também. Esse projeto já está em desenvolvimento há mais de sete anos e sem dúvida nenhuma valeu toda a espera. Soundtrack merece e precisa ser visto! O filme estreia nos cinemas hoje, 06 de Julho.

Autor

Paulistana, 25. Formada em Cinema pela FAAP e em Roteiro para Séries de TV e Filmes pela Vancouver Film School. Escritora, Produtora e Tradutora Audiovisual, especializada em binge-watching series since before it was cool.

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