Review – The Surge

Depois de Lords Of The Fallen, Deck13 lança The Surge, outro game do conhecido estilo “souls-like”, com grande inspiração na franquia de Dark Souls. Dessa vez, eles deixam o tema medieval clássico do gênero, e vão para um mundo futurista, aonde as armaduras são exo-esqueletos e as armas são ferramentes de serviço.

Lords of The Surge 2

The Surge execution

Aprendendo com seus erros, The Surge melhora em relação ao game anterior em quase todos os aspectos. O que mais brilha, sem dúvida, é o level design. Tal qual Lords, o game é dividido em grandes áreas, e existem loadings entre elas. Porém, aqui os mapas são muito maiores, com somente uma medbay, a “bonfire” do game, por cada área. É incrível o número de voltas que você dá em cada mapa, só para abrir um atalho que leva a medbay. Nesse sentido, é o game mais parecido com o primeiro Dark Souls que já fizeram, pois até os próprios games da própria From Software falham ao atingir esse potencial.

The Surge spitfire

O combate aqui está mais próximo de Bloodborne do que qualquer outro game no estilo. O seu personagem é pesado e rápido ao mesmo tempo. Você se desvia rápido, enquanto defender gera mais prejuízos do que benefícios. Somando isso ao excelente tracking dos inimigos (eles não te erram), o game fica muito mais dinâmico e frenético, e ao mesmo tempo traz um peso em cada golpe característico de quem está usando uma super armadura de sabe-se lá quantos kilos.

Come get your armor!

The Surge equipment

O grande diferencial de The Surge é o sistema de desmembramento. Na batalha, temos a opção de lockar em uma parte específica do corpo do inimigo (cabeça, torso, ambos os braços e pernas). Os inimigos humanóides, que são a maioria, podem vir ou não com pedaços de armaduras em cada uma dessas partes. Atacar as partes sem armadura dá mais dano. Porém, atacar consistentemente um membro com armadura, libera uma execução visceral que arranca o membro e te dá aquele pedaço de armadura e/ou a arma, no caso de cortar o braço. O game ainda tem um sistema de slow-motion para você vê-las em toda a sua glória. Cada tipo de arma tem uma execução diferente para cada membro. Ou seja, é difícil de parecer repetitivo, e é sempre muito satisfatório. Para complementar, peças repetidas te dão material para fazer crafting e upgrades no seu equipamento.

The Surge Execution

O game pode ser considerado um RPG, mas ele foge bastante da fórmula. Você não tem atributos, e quando passa de level, aqui de chamado de Core Power, não ganha nenhum benefício direto. Ao invés disso, o seu Core Power dita quantas coisas você equipar, que se resumem entre armadura e implantes. Tudo o que você é vem dos implantes. Desde coisa básica como ver o HP dos inimigos e ítens de cura, até melhorias nos status e perks, vem dos implantes. Você tem que gerenciar o número de slots e a quantidade de energia disponível, e cada implante tem um custo diferente. Então, basicamente, você tem controle total do seu personagem, a qualquer momento. Você pode simplesmente trocar tudo, e jogar de uma maneira totalmente diferente. Os exo-esqueletos não são tão chamativas quantos armaduras medievais, mas tem seu charme.

Catch-a-gun!

The Surge PAX

As armas também fogem dos padrões um pouco. Existem 5 tipos, que se dividem entre 2 classes. Cada tipo tem seu próprio moveset, com certas armas tendo ataques únicos, principalmente as de boss. Seguindo o padrão de Lords, cada boss dá uma arma, e existe a versão 2.0 de cada uma, se você matar o boss de uma maneira específica.O número de bosses do game é bem baixo, mas isso parece ser proposital. O game não tem um grande foco neles, mas sim na exploração dos mapas. Os verdadeiros inimigos do game são os inimigos, que tem um ótmo placement para travarem batalhas batalhas difíceis, e o level design, que é muito complexo, e requer que voce realmente os decore para se movimentar bem no game.

O game possui uma certa quantidade de backtracking, principalmente se você quiser fazer certas side-quests ou farmar itens específicos. É nesse momento que você recebe a recompensa de decorar os mapas complexos: você sente o progresso que você fez quando você consegue lembrar de cabeça o design, incluindo atalhos, e simplesmente ir de uma ponta a outra do cenário em questão de segundos.

The Surge Creo

Twinkle twinkle little star

Outra coisa interessante do game é a atmosfera. O game é bem tenso, escuro e sombrio. Existe aquela sensação de Dead Space, em que você está em um cenário futurístico, porém vazio, prestes a ser emboscado por qualquer lado. Não é estranho você pular da cadeira como em um game de terror. Isso tudo somado ao fato de você perder todo o seu XP quando morre, leva ao clima de terror que existia no grandioso Demon’s Souls, que foi perdendo a força conforme a franquia avançava, com excessão de Bloodborne.

The Surge Dark

A variedade de inimigos é surpreendente, contando que a grande maioria são humanos com armaduras e/ou armas diferentes. Porém, o game consegue diferenciar eles bastante, sendo que a IA de cada um se comporta diferente. Até o último momento do game, você estará se deperando com inimigos novos. Aliás, até mesmo no post-game.

New game plus ad infinitum

O sistema de new game plus não poderia faltar, e aqui ele não decepciona. Novos inimigos humanos são colocados estrategicamente, e eles são mais agressivos e inteligentes do que os humanos normais do game, e podem até usar arma de boss. Você libera tiers mais altos para upar o seu equipamento, e a cada ng+, tudo no game escala. Os seus equipamentos param de escalar na terceira vez, mas os inimigos não. A dificuldade do game escala infinitamente, até que tudo o que você possa fazer para zerar o game é matar todos os inimigos sem tomar dano. E sim, isso pode ser feito em qualquer game desse estilo. Tudo isso juntando com uma boa quantidade de colecionáveis, incluindo áudios que contam a história do game, deixam o game bem mais longo.

No refunds

The Surge Smelter Bot

Para quem gosta do estilo, The Surge é material obrigatório. Lords Of The Fallen falhou nesse quesito, pois a fanbase dele é menor e muito gente não gostou pela falta de originalidade, mas aqui a Deck13 se superou em muitos sentidos. Temos um game longo, divertido, bonito e bem feito. Tem certos problemas de controles, mas no geral, é questão de costume. Não é um game perfeito, mas é muito divertido. Não existe um multiplayer, o que poderia multiplicar a vida útil do game infinitamente, mas considerando que os desenvolvedores não são exatamente uma empresa grande, é compreensível. Seu próximo game, que provavelmente deve ser uma IP nova, promete muito se eles seguirem esse padrão de qualidade. Com sorte, ele trará coop, pois umas das melhores coisas desse gênero é jogar com amigos, principalmente depois de zerar a primeira vez.

Gráficos: 9/10
Som: 9/10
Gameplay: 9/10
Enredo: 8/10
Diversão: 10/10

NOTA: 9.2/10

Renato Dias