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Review – Hellblade: Senua’s Sacrifice – Deuses Nórdicos e Psicose

Depois de DMC: Devil May Cry, a Ninja Theory, também conhecida pelos excelentes Heavenly Sword e Enslaved, embarcou em seu primeiro projeto 100% independente. Chamado de AAA independente, sua proposta era fazer um game indie, sem que nenhuma publisher pudesse alterar o jogo, porém mantendo a qualidade de um game grande. O projeto demorou anos para ser feito, e agora finalmente foi lançado.

Hellblade: Senua’s Sacrifice conta a história de Senua, uma guerreira celta dos tempos dos Vikings, em sua jornada para Helheim, o “reino dos mortos” da mitologia nórdica. Durante a sua jornada, você encontrará alguns deuses e criaturas mitológicas, enquanto tenta cumprir o seu objetivo. Porém, não pense que há algo parecido com God of War. Esse game pode mais ser considerado um “filme jogável”. Não, não tem quicktime events. Mas temos uma atmosfera densa e uma personagem interessante que nos mantem imersos no mundo do game de uma maneira nunca antes vista. Hellblade não é para todo mundo.

Hellblade

Primeiramente, o grande diferencial do game é Senua. Sim, ela é uma guerreira. Sim, ela é badass com a espada. Porém, ela é diferente de qualquer personagem que você já viu em um game. Ela tem um nível alto de psicose. Ou seja, ela ouve vozes na cabeça, e tem alucinações. A primeira coisa que o game avisa no começo é que a experiência é extremamente melhor com um fone de ouvido, e eu diria que é indispensável. Principalmente se você tem um fone 7.1 de alta qualidade, ou pelo menos um home theater na TV. Desde o primeiro segundo de gameplay, você ouve as vozes na cabeça de Senua.

A Ninja Theory trabalhou intensamente com psicólogos e até mesmo pacientes com histórico de problemas mentais para replicar esse efeito para o player. Depois de Hellblade, você terá uma noção do que é ser atormentado por vozes na cabeça. Durante todo o momento, você ouvirá as vozes. São no mínimo 3, que falam ao mesmo tempo, e estão ali para te ajudar, atormentar, encorajar ou até mesmo fazer desistir. Uma voz se destaca mais, e pode ser considerada a narradora. Ela fala diretamente com você, o player, enquanto as outras falam com Senua.

Dilllion & Senua

O gameplay é único, e pode ser considero um motivo negativo para quem não curte o gênero. O game basicamente consiste em 3 momentos: andar, resolver algum puzzle e combate. Enquanto tudo isso acontece, sempre tem alguém “conversando” com você, para te manter entretido e imerso no game. Mesmo as partes que são somente andar, você está curioso para saber o que aquela história significa. Além disso, existe uma espécie de colecionável no game, as Lorestones, que são pedras que, quando acessadas, revelam fatos sobre a mitologia nórdica. Os puzzles, infelizmente, são mais interessantes visualmente do que de um ponto de vista de gameplay, e se tornam meio chatos e repetitivos depois. É compreensível, pois se o game no geral fosse muito difícil, ou os puzzles, complicados, poderia quebrar a imersão do player. Foi uma decisão de design complicada, mas talvez houvesse ainda uma maneira melhor de fazer.

Surt

Você aprenderá várias histórias da mitologia, sendo que a maioria delas tem relação direta com o gameplay ou o enredo do game. Diferente de God of War ou os filmes da marvel, que toma suas próprias liberdades, Hellblade mostra a mitologia sem alteração, apenas visuais. Enquanto tudo o que você vê ali foi criado por eles visualmente, você aprenderá coisas sobre a mitoligia que são realmente fatos históricos documentados.

O game é feito na Unreal 4, e é lindíssimo. Como uma experiência linear, é impressionante ver como nenhum cenário se repete, e é importante lembrar que tudo isso foi feito por uma equipe pequena e independente. Além dos gráficos lindíssimos e estilo artístico gótico, outro grande fator que contibui para a imersão é o som. O design de som do game é simplesmente perfeito. Tanto as vozes, quanto qualquer barulho de cenário, são incrivelmente realistas e, com o fone, você se sente na pele de Senua. O game não tem HUD, outro fator que contribui para esse fato.

Senua & Hela

Tudo isso é realmente sentido no combate. O game não tem muitos combates, e de um ponto de vista de videogame, perto do final, ele pode até ser considerado repetitivo por alguns. Porém, se você comprou a idéia do game, você não perceberá isso. Você verá cada golpe, e cada esquiva e bloqueio de um jeito nunca antes visto em um game. O combate é pesado, mais ao mesmo rápido rápido e visceral. Você enfrenta inimigos brutais, e que te atacam em grupo. A câmera é parecida com games como For Honor, e o combate é bem simples, porém muito satisfatório. Depois de um tempo, você entende todos os detalhes dele, mas esses detalhes são também parte da experiência. Apesar da simplicidade, alguns bosses são apresentados, e são batalhas realmente divertidas. Porém, se houvesse pelo menos mais alguns inimigos diferentes, e mais 1 ou 2 bosses, talvez o combate pudesse ser mais legal. Particularmente, eu não me importaria em quebrar a imersão por um combate mais difícil ou puzzles mais complicados. Mas essa foi a decisão da desenvolvedora.

Senua

Hellblade dura de 7 a 9 horas, uma duração considerada curta para um jogo de hoje. Mas é compreensível, pois ele é uma experiência única, e por causa disso, a Ninja Theory vende o game a metade do preço padrão, 30 dólares. Felizmente aqui no Brasil, ele se encontra por pouco mais de 90 reais na PSN, e pouco mais de 50 no Steam. Então, o tamanho do game não é um problema. Porém, se você está procurando por um God of War ou Devil May Cry, está no lugar errado. O grande diferencial do game é o player passar a ter uma idéia melhor do que é viver com vozes na cabeça, um assunto que é raramente tratado em qualquer mídia, pelo menos não de uma maneira positiva, como visto aqui. O design de som  e os gráficos garantem que essa experiência será única e inesquecível.

Gráficos: 10/10 (11/10 no pc, com 60 fps)
Som: 10/10
Gameplay: 8/10
Enredo: 10/10
Diversão: 10/10

NOTA: 9,6/10

Hellblade: Senua’s Sacrifice está disponível para Playstation 4 e PC.

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