Oscar Melhor Filme – Até o último homem

Um dos indicados à melhor filme no Oscar 2017, “Até o Último Homem” é um lindo filme de guerra, baseado em fatos reais. Com seis indicações ao Oscar, com destaque para melhor filme, melhor ator (Andrew Garfield) e melhor diretor (Mel Gibson), ele cumpre o que promete: muita emoção, muitas bombas e ótimas atuações.

Um clássico e estruturado filme de guerra, com um forte quê religioso, “Até o Último Homem” tem muitos pontos positivos. Lembrando filmes icônicos como “Resgate do Soldado Ryan” e “Forrest Gump”, ele tem a cara do Oscar.

A história é contada de forma que nos aproxima muito do personagem principal. Sem forçar uma conexão. Ela é instantânea. Tão instantânea que deixamos de questionar seus valores e suas decisões e apenas torcemos por Desmond Doss.

O enredo do filme

Desmond Moss é um jovem religioso, com fortes traumas de infância. Como cidadão consciente, acha essencial se alistar no exército para defender os EUA na segunda guerra mundial. Deixando um pai amargurado pelas lembranças da primeira guerra, uma mãe amorosa e uma noiva apaixonada para trás, ele inicia seu treinamento no exército. Logo nos primeiros dias, ele percebe que seu plano de ir à guerra como médico para salvar vidas, ao invés de tirá-las, é um pouco mais complicado do que ele imaginava.

Ao negar sequer encostar em uma arma, Doss é instantaneamente odiado pelos outros soldados. O caminho para convencer os chefes de que ele pode ser um bom companheiro e fazer seu dever na guerra, sem matar ninguém, é longo e árduo. Mas Doss não desiste de se tornar um soldado, nem de se manter honesto aos seus ideais. É só no momento em que mais precisam que seus companheiros de guerra finalmente reconhecem seu valor.

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Os altos e baixos do concorrente ao Oscar

“Até o Último Homem” é muito emocionante, muito forte e passa uma mensagem muito bonita, independente do cunho religioso. Entre os concorrentes ao Oscar, ele se destaca, mas não chega a preferido. Andrew Garfield está incrível no papel principal, convencendo nos momentos felizes, românticos e principalmente nas cenas sérias. Todas as cenas de guerra, explosões e caos também foram muito bem feitas. No geral, a estética e o ritmo no filme são ótimos, prendem a atenção e são interessantes do começo ao fim.

Mas o filme tem dois defeitos. O primeiro é tentar aliviar a tensão da história com a adição de Vince Vaughn como o capitão do exército (Sargento Howell). Sem nenhum sentido, o filme fica leve e engraçadinho do nada, por apenas 15 minutos. A sequência de treino repleta de piadas, risadas e comédia física – ficou 100% deslocada do restante do filme quanto à tom. O mais estranho é que a atuação de Vince nas cenas pesadas e tristes está boa. Mas realmente perderam a mão nessas poucas cenas cômicas que soaram muito estranhas e forçadas.

O segundo defeito é que o filme ficou um pouco massante e forçado. Parece que existe uma tentativa direta, o tempo todo, de fazer o espectador se sentir mal, aflito e/ou triste. Talvez por um excesso de cenas parecidas durante as batalhas da guerra, ou talvez pelos repetidos discursos religiosos do protagonista. O fato é que você sai do filme exausto, exaurido, de tanta tensão acumulada. Mas ainda vale a experiência. Desmond Moss foi um homem muito bom, inspirador, que merece que sua história se torne conhecida.

Outra característica negativa, importante de se citar, é o fato do filme ser dirigido por Mel Gibson. Com uma vida pessoal muito perturbada, o produtor, diretor e ator já se envolveu em muitos escândalos. De passagens pela polícia, problemas com alcoolismo, declarações preconceituosas e agressão de mulheres. Para nos tornarmos espectadores cada vez mais críticos e conscientes dos projetos que apoiamos, fica a informação.

Autor

Paulistana, 25. Formada em Cinema pela FAAP e em Roteiro para Séries de TV e Filmes pela Vancouver Film School. Escritora, Produtora e Tradutora Audiovisual, especializada em binge-watching series since before it was cool.

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