Crítica – Wonder Woman – Finalmente, DC!

Parabéns! Você viveu até o momento que pode dizer que a DC fez um filme bom nos cinemas. Depois de controversos desastres no universo cinematográfico da DC, Wonder Woman era a aposta mais promissora. Mesmo depois do infame Suicide Squad, fãs ainda tinham esperança que Patty Jenkins e Gal Gadot trariam algo interessante para as telas. E não foi muito diferente disso.

Uma jornada de crescimento

O filme acontece na época da primeira guerra mundial, como tinha sido indicado pela foto de Diana com Steve Trevor (Chris Pine) que aparece em BvS. Aqui, nós temos uma criação de mitos, expandindo o universo DC do cinema, sem avançar muito na história de Justice League. E acima de tudo, a criação da personagem. Depois da pequena aparição de Diana, o filme é todo estruturado para mostrar quem é ela, psicologicamente. No que ela acredita? O que ela pretende? Ela é uma heroína ou uma guerreira?

Mulher-Maravilha

O roteiro aqui não vacila, e conta toda a trajetória de Diana. Vemos como ela enxerga o mundo quando criança, e ela vê muitos dos seus ideais desafiados pela Grande Guerra que acontece diante de seus olhos. Aqui, nós vemos o pior da guerra, e essa tema nunca deixará de ser atual. É claro que no “mundo dos homens”, machismo e patriarquismo não iam faltar. Diana sai de um lugar aonde é princesa, e enfrenta preconceito e descaso em um mundo aonde o simples fato de ser mulher é praticamente um crime. E se você acha que isso é um exemplo de uma sociedade de 100 anos atrás, está muito errado.

Divertido, engraçado e emocionante, sem exageros

É muito interessante ver esse lado inocente da personagem, já que no outro filme já vemos uma mulher decidida e que entende muito bem como funciona o mundo. Aqui, vemos o crescimento de seu caráter, e a sua lição principal é que apesar do potencial para o mal, sempre devemos acreditar no lado bom dos humanos. E os que escolherem o lado ruim? Apanham. De mulher. Com força. Temos também os amigos de Steve, Sameer (Saïd Taghmaoui), Charlie (Ewen Bremner) e Chief (Eugene Brave Rock), que mostram que a guerra não discrimina por raça ou por nacionalidade: é cruel com todos.

Mulher-Maravilha

O maior problema do filme é o mesmo de sempre: o vilão. Ludendorff (Danny Huston) e Dra. Poison (Elena Anaya) são competentes em seus trabalhos, porém o roteiro não soube lidar da melhor maneira com a ameaça maior: Ares. Ele é uma sombra na personagem desde o início, porém a execução não ficou interessante. O clímax do filme é o que qualquer fã dos desenhos da Liga da Justiça quer ver no final, e os motivos funcionam bem, no geral. Porém, o que levou a esse momento poderia ter sido mais trabalhado, ou trabalhado de uma forma diferente. Por isso as revelações não tiveram o impacto esperado, tirando um pouco do suspense que o roteiro estava contruindo tão bem.

Apesar de ser um pouco diferente do resto do filme, o show de pirotecnia digital ficou bem empolgante, e a trilha sonora ajudou a acelerar o coração. Vale dizer que quanto mais próximo do fim, melhores ficam os CGIs. Alguns, no começo, deram ate vergonha. Outro fator é que a quantidade de slow-motions ficou muito alta na escala Snyder, e isso pode incomodar alguns. No entanto, as cenas de ação são muito legais, mostrando o quanto a atriz treinou para o papel.

Mulher-Maravilha

Já não era sem tempo

O filme não insulta o espectador, e a grande maioria de suas pistas ficam somente nas pistas. Muitas pessoas aplaudiram o filme na sala, mas não achei que era pra tanto. É um bom filme, com cenas de ação? Sim. O melhor da DC? Óbvio, mas não é como se tivesse muita competição. O que pode ser perigoso é que o filme não passa de um flashback de 100 anos atrás. Portanto, nada garante que os próximos filmes da DC vão seguir essa linha de sucesso, muito menos superá-la. Se a DC não escutar as pessoas certas, Wonder Woman vai ser o melhor filme da DC por um bom tempo, e com Justice League vindo ainda esse ano, isso com certeza não é algo a se torcer.

Renato Dias