Crítica – Thor: Ragnarok

Muita discussão existe sobre o melhor filme da Marvel cof cof Guardians of the Galaxy 2 cof cof, mas nunca houve muita discussão sobre o pior. Thor e Thor: The Dark World estavam facilmente no topo dessa lista, para muitos. Não é à toa que os filmes dele são os únicos que trocaram de diretor todas as vezes. Porém, agora com Taika Waititi, parece que Thor ganha o filme que sempre mereceu.

Thor

Primeiro de tudo, é necessário entender que o novo diretor tem mais experência com filmes de comédia, e portanto é fã de improvisação. Não precisa nem ir atrás de entrevistas para ver que uma boa parte do diálogo do filme é improvisado. O filme é simplesmente hilário, no nível dos dois Guardiões da Galáxia, e com certeza você vai rir do começo ao fim. Apesar do título, temos aqui uma aventura sólida, com ótimos personagens, uma vilã excelente, e até mesmo algumas lições a serem aprendidas.

O enredo é sobre aceitação e convivência. Seja a aceitação de si mesmo, ou das pessoas a sua volta. Se tirarmos o contexto de que estamos falando de deuses nórdicos batalhando contra criaturas mitológicas, temos aqui uma boa conversa sobre amizade, dever e sacrifício. Isso fica claro, tanto nos personagens principais, quanto nos secundários.

Hela

Chris Hemsworth (Thor) foi cômico demais no primeiro filme, sério demais no segundo. Finalmente, o equilíbrio foi encontrado. Depois de cenas criativas que vão te fazer rolar de rir, temos combates tão épicos e sérios que até podem ser considerados os melhores do universo Marvel. As lutas estão simplesmente badasses, e Thor, mais do que nunca, parece um Deus. Tom Hiddleston (Loki) está ainda melhor do que já foi, e a ganhadora do Oscar Cate Blanchett (Hela) faz uma das melhores vilãs do universo Marvel. Temos Jeff Goldblum (Grandmaster) nos tirando gargalhadas, e Tessa Thompson (Valkyrie), ainda mais. Não podemos deixar de mencionar Idris Elba (Heimdall) e Mark Rufallo (Hulk, Bruce Banner), e Karl Urban (Skurge), que estão excelentes em seus papéis. Além disso, temos um outro deus que rouba a cena toda vez que aparece.

Valkyrie

Os efeitos especiais, e no geral, o visual do filme, estão fantásticos. As lutas estão épicas, e com muito impacto. É quase difícil de não levantar da cadeira e soltar um grito de guerra durante muitas das cenas lutas, principalmente mais próximo do final. Aliás, não perca o Easter Egg de Doom no último ato do filme. O mesmo vale para a trilha sonora. Você irá vibrar na cadeira.

O filme não é perfeito, e um dos problemas é o personagem de Karl Urban. Ele tem o seu próprio arco no filme, mas acaba sendo desinteressante em meio a tanta coisa mais legal acontecendo. O arco em si é legal, mas não tinha muito espaço para ele. Particularmente, eu gostaria que Hela tivesse mais cenas no filme. Ver Cate Blanchett atuando como uma deusa da morte é raro, e gostaria de ver mais disso. Muitas cenas de exposição da backstory de Asgard também acontecem, e quebram um pouco o ritmo do filme. Existem alguns momentos que o roteiro faz pouco sentido em função da comédia ou grandiosidade de certas cenas, e algumas pessoas podem não gostar disso. Mas, querendo ou não, isso aqui é um filme de super-herói, e o importante é a diversão, e isso, esse filme garante.

Renato Dias