Suspense e Drama no thriller de ficção A Chegada

Mesmo sabendo conhecendo o fim da jornada, continuaríamos seguindo o mesmo caminho? Essa é a questão lançada por A Chegada, do diretor Denis Villeneuve, baseado no conto “The Story of Your Life”, de Ted Chiang.

A vida da especialista em linguística Louise Banks é marcada por uma tragédia que a acompanha do início ao fim. A personagem de Amy Adams é apresentada de maneira pacata, mostrando sua vida como professora de linguística em uma universidade americana. O filme não tarda em apresentar a presença alienígena no planeta. O ponto forte é como a situação é apresentada: do modo mais comum possível, sem estardalhaço, o que se encaixa muito bem no tom do longa-metragem. Louise Banks recebe a notícia de maneira corriqueira e seca, como provavelmente receberíamos em uma real situação.

Enquanto o mundo inteiro se preocupa com as 12 espaço-naves, chamadas de Conchas, Louise Banks tenta continuar com sua vida que, aparenta ser uma vida vazia. A direção do filme ajuda a intensificar bem isso, através dos planos e da paleta de cores. Contudo, o Coronel Weber, papel de Forest Whitaker, pede sua ajuda para se comunicar com os visitantes extra-terrestres. Apesar de hesitar, Louise Banks acaba embarcando na missão, onde conhece o cientista Ian Donnelly, interpretado por Jeremy Renner, o Gavião Arqueiro da Marvel. Juntos, eles e equipes de cientistas ao redor do mundo tentam se comunicar com os seres.

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Uma das 12 Conchas, e seu tamanho colossal

Uma reflexão sobre nós e sobre o mundo

É importante ressaltar que o filme não é sobre aliens. É sobre o ser humano como indivíduo e como humanidade, belamente maquiado como uma ficção científica. O roteiro nos conduz a discussões como a relação do homem para com seus iguais, a forma como a mídia influência o pensamento das pessoas negativamente. Mostra também a comum visão humana de que, só porque a raça humana age de determinada maneira, outras raças ao redor do universo também agiriam da mesma forma.

O filme peca ao apelar para estereótipos desnecessários de conflitos globais. Rússia, China e outros países considerados rivais dos Estados Unidos, são vistos como os problemáticos da história, enquanto a América é aquela que age de maneira mais “coerente” em relação aos outros.

O roteiro, somado a montagem do filme, ajuda a conduzir o conflito interno da protagonista. O trabalho de som, e a ausência do mesmo, ajuda na atmosfera de suspense e tensão interna. Tudo isso culminando em um final que pega o espectador de surpresa.

Louise Banks, Amy Adams, decifrando a escrita alienígena

Os efeitos especiais trabalham em função da história. Vale ressaltar que este não é um filme de alienígenas convencional, com explosões, guerras, discursos patrióticos e alívios cômicos constantes. É um filme inquisitivo, que levará os mais questionadores a deixar os neurônios fritando. Contudo, talvez deixe os mais acostumados com ação frenética e dinâmica acelerada um pouco decepcionados.

Entre suas mensagens principais, A Chegada nos leva a concluir que precisamos nos unir para conquistar a vitória, sendo vitória uma ideia mais ampla do que uma competição, e sim uma troca de valores que podemos agregar uns aos outros para nos tornarmos seres humanos melhores.

Autor Carlos Grandini

Ruivo Nerd formado em Design de Animação, atua no mercado como Motion Designer e estuda design de Personagens. Grande fã de universos fantásticos, séries, filme e livros.

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