Crítica: Star Wars: The Force Awakens

33 anos depois do término da trilogia original, chega aos cinemas a sequência que todos os fãs estavam esperando. O filme honra com força a trilogia original, especialmente o primeiro filme, e ao mesmo tempo passa por cima da trilogia lixo prelúdio (um dos melhores Easter Eggs). E ao mesmo tempo, como se fosse um flashback, atrai novos fãs de uma maneira histórica. No meio de tantos remakes e continuações de franquias antigas (Mad Max, Terminator), temos um filme que está fazendo praticamente o mesmo impacto em 2015 que o seu predecessor fez em 1977.

Do começo, somos apresentados a maligna First Order, o novo “Império”, com direito a Lord Sith e stormtroopers, e o objetivo comum entre heróis e vilões do filme: o paradeiro de Luke Skywalker. Do outro lado, temos um piloto da resistência, trazendo de volta aquele clima de clandestinidade aos mocinhos, que está com essa informação, e a confia ao seu droid, BB-8. Qualquer semelhança com o Episódio IV não é mera coincidência.

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A partir daqui o filme se desenrola de forma não muito diferente do original, pois está partindo do mesmo conceito da “Jornada do Herói”. Só que diferente do que o titio Lucas faz, essa história é muito focada nos personagens, e nesse quesito o filme está de parabéns. Tanto os personagens antigos, que depois de tantos anos voltam muito parecidos com o que foram, com mudanças significativas em alguns detalhes. Afinal, são mais de 30 anos dentro do universo do filme também. É claro que os que brilham, são os personagens novos, pois essa é a história deles. Rey (Daisy Ridley) e Finn (John Boyega) são as melhores coisas do filme. Rey, sendo aquela mulher forte; é o retrato da cultura pop atual, aonde é necessário mostrar que as mulheres não são apenas donzelas em perigo, e não precisam serem salvas. Na minha opinião, ela é o melhor ponto do filme. Finn é um personagem interessante pois você não consegue comparar ele com alguém dos filmes antigos. Em um filme tão parecido com o original estruturalmente, Finn é um ponto fora da curva, então ele é, de certa forma, o mais imprevisível do filme, e ao mesmo tempo, um alívio cômico excelente.

Star Wars: The Force Awakens Ph: Film Frame ©Lucasfilm 2015

Falando do inimigo, sem dar muitos spoilers, Kylo Ren (Adam Driver) também é uma inversão do seu próprio papel. Ele não é um Darth Vader, e não tem que ser mesmo! Darth Vader já teve a sua jornada, e no começo do Episódio IV ele já estava estabelecido. Kylo não está muito longe do começo da sua, e diferente do Darth Vader, ele é um personagem que tem um peso emocional enorme. Ele tem um conflito interno que vai contra qualquer clichê, e a personalidade é refletida tanto na sua linguagem corporal quanto em sua vestimenta. Se não houver luz, não há esperança. Até aquele “sabre” de luz dele já dá uma dica do jeito que ele vai lutar, e é realmente incrível o jeito que isso é executado.

É claro que o filme também não está livre de defeitos. Tudo bem o filme seguir a receita do original, mas tiveram semelhanças ali que beiraram o absurdo. A First Order não tem sequer uma mínima explicação de sua origem, e como ela ficou tão poderosa sem a República querer impedi-la. Foi como se o Império nunca tivesse sido destruído. É claro que esse mistério pode (e deve!) ser tratado nos próximos filme da trilogia, mas do jeito que ficou, pareceu preguiça mesmo. Outro ponto preguiçoso é o terceiro ato do filme, onde (warning: spoilers de leve, selecione para ler) temos uma super-força esmagadora nas mãos dos inimigos (que aparentemente está sendo construída há anos) que pode ser facilmente destruída com 3 tirinhos nos lugares certos.

Mesmo assim, o filme ainda é excelente, e os defeitos ficam minúsculos diante de sua grandeza e de suas belas atuações. O mestre John Williams mais uma vez emprestou seu talento para o universo Star Wars, e a trilha sonora é como sempre magnífica. J. J. Abrams também está de parabéns em relação aos efeitos especiais. Os CG foram reduzidos e os efeitos práticos, levados ao máximo. Isso torna os elementos do filme muito mais palpáveis e reais. Ou você não acha que é de cair o queixo quando você descobre que o BB-8 é 100% real e funcional, um robô controlado por controle remoto, e que em cenas como no deserto de Jakku, não foi usado nada de computação gráfica entre suas interações com os personagens?

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Renato Dias