Crítica: Punho de Ferro

Sabemos que a parceria entre Marvel e Netflix é um sucesso. Até o momento tivemos ótimas experiências com Demolidor, Jessica Jones e Luke Cage. Isso gerou uma grande expectativa sobre o que veríamos em Punho de Ferro. Sendo a última série de apresentação de heróis antes da aguardada Os Defensores, ficou a missão de trazer um pouco mais de misticismo para a casa das ideias. Porém, o que tinha tudo para dar certo, acabou tropeçando e gerando certa insatisfação.

O que é um Punho de Ferro mesmo?

O maior problema que temos aqui é justamente o que a série se propôs a fazer: mostrar um novo herói. Danny Rand (Finn Jones) está de volta a Nova Iorque em busca de seus únicos conhecidos, Joy (Jessica Stroup) e Ward Meachum (Tom Pelphrey) – o mais próximo que ele tem de uma família. Logo de cara, ele já percebe que não é bem vindo entre eles, o que gera o primeiro incomodo no personagem: sua carência. Ele é muito ingênuo, a ponto de revelar que é o Punho de Ferro a qualquer um. Sem contar o excesso de confiança que ele deposita nas pessoas.

Um dos melhores momentos da série.

Apesar de toda hora ser mencionado por Danny que ele é o Punho de Ferro, o que isso quer dizer? Ele mesmo conta que após o acidente que matou seus pais foi encontrado por monges de um monastério em K’un Lun. Um lugar no Himalaia que está em outra dimensão, mas que, de tempos em tempos, é possível acessá-lo. Lá ele passou por intenso treinamento, onde ganhou o poder do Punho de Ferro. E é só isso que temos – há pequenos flashbacks que também não revelam muito, o que lembra um pouco da série Arrow.

Além de carente e ingênuo, outro incomodo é a imaturidade de Danny. Mesmo sendo o escolhido a carregar a alcunha de Punho de Ferro, ele passou por um rígido treinamento. É evidenciado que ele sofreu muito para conseguir seu poder. Por esse motivo era de se esperar um cara mais maduro, que sabe o que quer e como conseguir. É certo que Danny saiu de K’un Lun antes de conhecer todo o potencial de seus poderes. Mas o que é mostrado é somente um garoto mimado que não faz ideia do que fazer com eles. O misticismo que seria o diferencial, não chega a ser abordado.

Sua motivação também é incerta. Não dá para saber se ele quer ser um cara normal, mais um herói na terra dos vingadores ou apenas vingar a morte de seus pais. Tão fraco quanto sua motivação é a resolução de cada novo conflito. Não surpreende, não empolga e deixa a gente na expectativa de ver, de fato, o Punho de Ferro em ação.

Quem são seus inimigos?

Diferente das séries anteriores onde estava claro quem eram os inimigos e qual era a missão do herói, Punho de Ferro peca em não mostrar o que ele realmente quer. Ele é treinado para lutar com todas as forças contra o Tentáculo, seu maior inimigo, ok. Mas na série não fica claro quem é seu inimigo de fato. Ao mesmo tempo em que ele busca vingança e luta contra o Tentáculo, ele larga tudo para lutar contra os Meachum. De repente, todos parecem pertencer ao Tentáculo. De repente, todos são amigos. Rolam umas reuniões da empresa que ele herdou e fica difícil entender o que está acontecendo…

Na luta contra esses inimigos, ele conta com a ajuda de Collen Wing (Jessica Henwick), quem acabara de conhecer, e da costureira de heróis, Claire Temple (Rosario Downson). Claire mostra que não tem somente habilidades em dar pontos e parte com Danny e Collen em “missões” duvidosas, descendo a porrada geral na bandidagem. O que não faz muito sentido, visto que ela não tem poderes e suas aulas particulares de artes marciais não são suficientes para permiti-la derrotar bandidos armados ou ninjas que treinaram a vida toda. O que gera uma série de cenas de lutas inverossímeis.

Mas é tão ruim assim?

Apesar de todos os tropeços a série ganha seus pontos. Ela tem bastante ação, apesar do desenvolvimento lento. Além de aumentar a hype para Os Defensores, a série abre um leque grande de personagens que podem ser explorados. Como a Collen Wing, Madame Gao e Davos; e até mesmo perguntas como qual será o futuro de Claire. Punho de Ferro não é uma série ótima, mas ela não chega a ser insuportável. Por todos os pontos que a Netflix tem conosco, vale a pena conferi-la.

Autor

Além de ser um dos fundadores do Bacon Side. Tenho 28 anos, formado em Sistemas de Informação, motivo de chacota desde a segunda série, fã de quadrinhos, livros, séries, filmes e Bacon! Recentemente descobri uma aptidão para esse negócio de escrever em sites Geeks!

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