Crítica – Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar – Franquia Morta Tell No Tales

Dezessete anos atrás era lançado o primeiro Piratas do Caribe, com um protagonista no mínimo duvidoso, porém muito divertido, um mocinho e uma donzela, em uma aventura muito rica, simbólica e impactante. Depois do fim da trilogia inicial, em 2007, essa já é a segunda tentativa da Disney ressuscitar essa franquia milionária, sem nenhuma inspiração interessante. E agora, mesmo com o excelentíssimo Javiel Bardem no papel de vilão, prova-se mais um vez que Piratas do Caribe é uma coisa do passado, e tudo o que ele tenta ser sempre será ofuscado pelo primeiro filme, que tinha conceitos muito mais bem trabalhados.

Pirate Bay tem conteúdo melhor

Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar (Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales, ou também Salazar’s Revenge) faz o possível e o impossível para deixar o original pra trás, e isso inclui trazer de volta Will Turner (Orlando Bloom) e Elizabeth Swann (Keira Knightley) por breves momentos. Nós ainda somos levados a acreditar que depois do terceiro filme passaram-se 20 anos, mas pros atores, nao parecem nem 5. Jack Sparrow, fazendo as contas, tem que ter pelo menos uns 60.

A Vingança de Salazar

É quase engraçado você ver que querem que o novo protagonista da história seja um jovem de 20 anos, filho de Will e Elizabeth. Essa é a prova que essa franquia já deu o que tinha que dar, e se eles quiserem mesmo continuar, tinha que ser por reboot. Mas um reboot de um filme de 2003? Já vimos piores, mas o Jack Sparrow, por mais interessante que seja… já não dá mais. Talvez não seja impossível continuar a franquia, mas esses últimos dois filmes não valem nem o download ilegal. Nem os roteiristas originais, no 4, e nem um roteirista premiado, agora no 5, conseguiram. Quem poderia então?

Will we die, just a little?

Depois de todas essas horas de franquia, Jack Sparrow não arranca mais nenhum sorriso genuíno. Ainda mais quando as melhores “piadas” já foram entregues no trailer. Chega de Johnny Depp, né? Será que um dia ele fará um papel de diferente? (Medo dos próximos Fantastic Beasts). O outro grande trunfo do filme é Javiem Bardem, e ao mesmo tempo, o maior desperdício. Como os vilões anteriores, deram alguns gestos estranhos pra ele, mas o personagem dele simplesmente não parece inspirado. Ele quer matar Jack por ele ter batido na mulher causado a morte dele… e só. Ele não tem carisma nenhum, e o seu arco é muito pobre.

A Vingança de Salazar

Destaque de verdade aqui fica pra Barbossa, porque Geoffrey Rush nunca desaponta. Apesar de até mesmo o seu papel na história ser forçado. Henry Turner (Brenton Thwaites) não empolga muito, e Carina Smyth (Kaya Scodelario) só serve pra mostrar o decote. Carina é interessante até um certo ponto, mas quando revelado algumas coisas do seu passado, tudo se torna artificial e forçado. O arco deles tem potencial, mas a sombra da trilogia original é grande demais, e parece que eles estão se esforçando demais. Jack é tão protagonista aqui quanto Max foi em Mad Max: Fury Road.

VOCÊ TEME A MORTE? A Disney deveria

A Vingança de Salazar

Mas não se engane, pois daqui a alguns anos a Disney lançará mais um Piratas do Caribe, porque dinheiro eles gostam, e esses filmes só servem pra isso. Essa franquia não passa de outro exemplo que Hollywood só quer apostar no que é “lucro certo”. Ondas e ondas de reboots, remasters, sequência e prelúdios. O preço do ingresso, paralelamente, só aumenta. Por enquanto? O jeito é pegar um blu-ray da trlogia original e assistir pela 20ª vez, porque ali a diversão é bem mais garantida.

Renato Dias