Crítica: O vendedor de sonhos

A adaptação de um best seller para o cinema

O vendedor de sonhos é a adaptação da renomada obra de Augusto Cury para o cinema. O livro foi editado pela primeira vez em 2008 e, passando por várias reedições e traduções para outras línguas, chegou a vender mais de 7 milhões de cópias! Considerado pela Folha de S. Paulo o autor brasileiro mais lido da década, Augusto finalmente chega aos cinemas e, pelo que tudo indica, não pretende sair tão cedo.

 

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Esse é o primeiro trabalho de Augusto Cury a ser adaptado para o cinema.

A trama gira em torno de Júlio César (Dan Stulbach), um psicólogo renomado cuja vida se encontra no mais puro caos, a ponto de tentar suicídio se atirando do 21º andar. Nesse cenário, o “Mestre” (César Troncoso), a partir de uma simples conversa, consegue tirar Júlio César daquela situação, e a partir dessa cena prossegue o filme.

A evolução do enredo é muito bem dirigida. Afinal, diga-se de passagem, o filme possui duas linhas temporais paralelas, que se desenvolvem em alternância e de forma impressionantemente harmônica. A direção é brilhante, e a fotografia não só capta imagens lindas, mas também faz o elo entre o conceito do filme e as imagens de um centro urbano denso e estressante, juntamente com o subúrbio (uma dualidade de situações brilhantemente apresentada).

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O filme mostra para aonde caminha nossa humanidade: tecnologias altamente sofisticadas e uma sociedade a cada dia mais doente e incapaz de lidar com a emoção e o estresse.

Não é autoajuda!!! Também fiquei surpreso.

Já que falamos de “conceito do filme”, uma explicação se faz necessária. Confesso que, antes de ir ao cinema, pensei que se tratava de uma obra de autoajuda. Resultado: levei três tapas na minha cara. O filme, apesar de apresentar falas lindas de superação, desenvolve críticas à sociedade de consumo, à ditadura da beleza, além de apresentar o suicídio como problema social sério e o mundo como um manicômio global. Desculpem-me os críticos, mas não dá pra falar que essa temática é de autoajuda.

Quem é o verdadeiro protagonista?

Sobre as personagens, não podemos falar que são muito carismáticas, mas também não dá pra dizer que isso é um defeito. Com efeito, parafraseando o diretor do filme (Jayme Monjardim): “o grande protagonista desse filme é a palavra, a mensagem”. De fato, tudo gira em torno da palavra. Todo o espaço é montado tendo em vista a transmissão dessa ideia, dessa crítica muito bem elaborada. A atuação, tanto dos dois principais como dos coadjuvantes, também é muito boa e flui bem no contexto do filme.

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“Formamos pessoas doentes para viver em um mundo doente” – Augusto Cury

Todos precisam ver esse filme. Sério, corre lá agora.

Portanto, não se trata de um filme de entretenimento puro e simples. É uma obra elaborada para instigar a reflexão de quem assiste. Não é autoajuda, então você não precisa estar na bad para ver esse filme. Todos precisam vê-lo, porque é um verdadeiro choque de realidade. Além disso, é uma produção, no geral, bem emocionante, então é provável que seus olhos se encham d’água em um momento ou outro do filme. Portanto, vão lá, reflitam, chorem bastante, recomendem pra todas as pessoas conhecidas e desconhecidas, porque é um assunto que precisa ser tratado com mais profundidade por todos nós enquanto pessoas e enquanto cidadãos.

O vendedor de sonhos tem tudo pra ser uma das melhores produções nacionais do ano, e estreia dia 8 de dezembro nos cinemas.

Autor

19 anos, estudante de Direito, virginiano, gosto de arte em geral, de miçangas e de fazer vários nada.

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