Crítica – It, O Loser, O Bully e A Bela

Semana passada tive a oportunidade de, a convite da Warner Bros, assistir ao filme It no Kinoplex de Itaim Bibi.

Em uma sessão que começou com um belo café da manhã, e tinha um cinema inteiramente decorado com os balões do filme e até mesmo pessoas que estavam vestidas a caráter do filme esperando a hora certa para te dar aquele jump scare, a impressão que ficava era a de que It seria um filme de terror genérico como qualquer outro. A obratem uma das cenas de gore mais legais que eu já vi, mas no final das contas se revelaria algo completamente diferente do que prometia ser.

Inicialmente, fiquei completamente frustrado por estar diante de algo que passava longe de ser assustador. Mas na medida que o filme avançava, eu comecei a notar que ele se distanciava cada vez mais do horror que temos hoje em dia, e se aproximava muito mais de algo como “A Hora do Pesadelo 3”, “Goonies”, e até mesmo “Stranger Things”. O filme traz consigo uma dinâmica clássica que tem: A entidade sobrenatural, os nerds, os bullies, a menina bonita, e uma jornada que te prende pelos olhos e ouvidos.

It - A coisa

Desde a edição até a trilha sonora vai te lembrar “Stranger Things”, o que passa longe de ser algo ruim. E por falar em Stranger Thins, a performance de Finn Wolfhard (Mike de Stranger Things), não deixa a desejar. O menino rouba a cena durante o filme inteiro sempre fazendo piadas e comentários típicos de crianças pré-adolescentes.

O resto do elenco também não fica atrás, com direito a um destaque especial para Nicholas Hamilton, que interpreta um dos bullies chamado Henry Bowers. Nicholas conseguiu com maestria fazer você sentir por ele a mesma raiva que você sentiria vendo qualquer outro típico Bully do cinema, ao ponto de você desejar que algo ruim aconteça com ele durante o filme todo. A novata Sophia Lillis também tem uma performance de encher os olhos como a pequena badass, Beverly.

No filme, Beverly é aquela garota forte e aventureira que faz qualquer garoto perder a cabeça. Ela tem um relacionamento conturbado com seu pai, o que facilita para ela entrar para o nosso grupo favorito de perdedores.

Jeremy Ray Taylor, que interpreta o jovem Ben, provavelmente vai te fazer lembrar daquele seu amigo de infância que não tinha muitos amigos, era super inteligente, e provavelmente uma das pessoas mais afetuosas que já conheceu. Bill Skarsgård no papel de It foi uma das coisas mais assustadoras que já vi. Eu decidi não olhar nada sobre o filme na internet, ou mesmo sobre seu elenco, e por conta disso em momento algum eu notei que Bill Skarsgård estivesse encorporando o palhaço diabólico.

Esses foram os que para mim mais se destacaram, mas o elenco todo está definitivamente de parabéns. Se essas crianças são o futuro do nosso cinema e TV, está tudo sobre controle e em ótimas mãos.

Audio é tudo

Quando se trata de jogos, filmes e séries, o audio é uma das coisas mais importantes. É o audio que faz uma arma ter um som de arma, é ele que é responsável pela ambientação e pelo casamento do que você está assistindo com o que você está ouvindo. Nesse quesito “It” não deixa a desejar. Desde as músicas dos anos 90, até as músicas de ambientação são perfeitas, e fazem você se prender as cenas que o filme está exibindo. Em alguns momentos a trilha sonora chega e muito a lembrar “A Hora do Pesadelo”.

Efeitos Visuais

Esse foi o único departamento onde o filme as vezes pecava. Por alguma razão, os efeitos não mantiveram a qualidade no decorrer do filme. Sempre que o filme utilizava de efeitos práticos (maquiagem com latex, etc), era excelente. Algo no nível de The Walking Dead. Agora, quando o filme decidia fazer algo digital, o 3D ficava extremamente falso, 90% das vezes. A qualidade era tão baixa que muitas vezes lembrava a qualidade das CGIs de Resident Evil (2002).

Admito que as vezes o clima do filme, principalmente quando rolava alguma alucinação ou um encontro com o Pennywise, era completamente quebrado pela CGI, que deixou e muito a desejar.

E é por conta disso que sempre vou preferir efeitos práticos ao invés de CGI para a maioria das coisas. Os efeitos práticos quando estão aliados a uma boa composição, são excelentes e dificilmente parecem falso, já CGI é algo muito passível de ficar com um aspecto falso por conta de inúmeros outros fatores. E muitas vezes o tempo que dão para uma cena de CGI ser composta, não é o suficiente para os artistas conseguirem deixar ela como queriam, e isso sem dúvida da uma atrapalhada no produto final.

Conclusão

Fiz o possível para fazer esse review sem dar spoilers pois acho que especialmente nesse filme, se você tem spoilers ele perde a graça, e muito. Se fosse para dar uma nota, seria um 9/10 – It‘s fun. Eu só recomendo que vejam, pois é um ótimo filme. Saiam de casa com a ideia de que estão indo ver algo como “Goonies”, “A Hora do Pesadelo” ou mesmo “Stranger Things”, e vocês vão ter uma visão completamente melhor sobre o que o filme realmente é. Não esperem um filme de terror trash, esperem uma homenagem aos filmes clássicos dos anos 80 e 90.

Bruno Shepard E-2

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