Crítica – Guardiões da Galáxia Vol. 2

Depois do sucesso inesperado de Guardiões da Galáxia, o diretor James Gunn provou que sabe o que faz. As referências aos anos 80, o tom alegre, o visual extravagante e um senso de humor peculiar. Dentro do universo Marvel, é a única “franquia solo” que vai muito além da Terra (pelo menos por enquanto, pois Thor: Ragnarok está chegando). E agora em Vol. 2, James Gunn foi muito mais além. Aqui você encontrará mais humor, mais referências aos anos 80, cameos hilários, e um enredo mais emocionalmente profundo do que o esperado.

Diversão Garantida

Primeiramente, é preciso reconhecer que filmes são diversão. Duas horas de entretenimento que você pagou para sair satisfeito. E esse ingresso vale cada segundo. Você vai manter um sorriso aberto do começo ao fim do filme, até a última letra dos créditos. Nada de cenários escuros, trilhas sonoras sombrias, cenas pesadas para o emocional. É um filme de super-heróis, mas um dos mais engraçados que você vai ver. As referências são geniais, as piadas são bem colocadas, e você simplesmente não se cansa da personalidade dos heróis.

É claro que nada disso seria capaz sem o enorme carisma dos atores. A equipe principal do primeiro filme mantém o seu nível, com Drax (Dave Bautista) e Rocket (Bradley Cooper) ganhando  bastante destaque. Nebula (Karen Gillian) está especialmente interessante nessa continuação, e suas interações com Gamora (Zoe Saldana) conseguem até arrancar algumas risadas. Uma adição muito agradável é o excelente Kurt Russel no papel de Ego. Sua relação com Peter Quill (Chris Pratt) é o grande foco do enredo, e sua importância é óbvia. Yondu (Michael Rooker) é muito mais presente aqui, e é facilmente uma das melhores coisas desse volume.

Personagens complexos

A história se desenvolve de uma maneira mais calma em comparação com o primeiro filme, com uma ótima alternâncias entre os pequenos núcleos da trama e um foco muito maior no desenvolvimento dos personagens. Pode se dizer que o filme não tem um foco tão grande em um vilão, e isso pode ser uma coisa boa. O grande ponto fraco da maioria dos filmes da Marvel são os vilões, e muitos deixam a desejar.  É difícil até lembrar do nome de algum que não seja Loki.

Aqui, os antagonistas, tais como os heróis, são numerosos, e a ameaça e as motivações deles são diretamente proporcionais ao quanto conhecemos e nos importamos com eles. Tudo se torna mais instigante quando se nota que se trata de uma jornada mais pessoal. Um embate contra um super-vilão, com um super-plano, que nem sequer conhece alguns dos protagonistas já não está dando muito certo. Em Vol. 2, a luta é mais intensa, mais pessoal, mais interessante.

Como todo filme de super-herói deveria ser, Guardiões da Galáxia Vol. 2 não se leva a sério em muitos momentos, o que o torna mais palpável para não-fãs de HQs, ao mesmo tempo em que agrada os nerds. E além de tudo isso, é possível até aprender uma ou outra lição valiosa sobre a vida. Você pode até sair do cinema sem estar pensando no próximo filme, ou o que acontecerá depois, pois o filme é completo, e não depende (muito) do restante do universo da Marvel. E esse é exatamente o objetivo de James Gunn. E ele acertou de novo.

Renato Dias