Critica: Death Note, sério mesmo Netflix?

Estreou ontem na Netflix, a adaptação ocidental do anime japonês Death Note. Somente em pensar em uma adaptação de um anime, já gera muitas dúvidas e suspeitas quanto a qualidade do que será entregue. Mas mesmo assim a Netflix insistiu, nos mostrou trailers que nos deixaram com mais medo que expectativas e sim, ficou péssimo!

É tanta coisa ruim, que fica difícil escolher por onde começar. O fato de terem mudado a etnia dos personagens, não é de forma alguma um problema. No caso desta adaptação, o maior defeito ficou mesmo por conta de terem mudado completamente as características principais dos personagens. Quem leu ou assistiu o anime, sabe que Death Note é uma obra que te põe pra pensar, que te deixa intrigado e até mesmo, mais inteligente, por que não? Ficamos impressionados com a capacidade intelectual do Light, sua frieza e psicopatia. Nos impressionamos ainda mais com a inteligencia de L, que tem a simples missão de descobrir o que está causando a morte de criminosos pelo Japão, sem nenhuma pista, sem nenhum indicio que seja uma pessoa. No avançar da história a sensação que temos é de assistir a um jogo de xadrez. Onde a cada movimento preciso de Light, gera outra jogada grandiosa de L. A todo momento um coloca o outro em cheque e essa disputa nos prende de tal maneira que não desgrudamos do mangá ou anime até vermos o seu final.

E ao que parece os produtores da Netflix não sabem que na Netflix tem o anime disponível, fica a sensação que eles apenas leram a sinopse original ou assistiram apenas ao primeiro episódio do anime e decidiram criar um filme. O protagonista Light Turner não é de longe, nem a sombra do Light da obra original. A única semelhança fica por conta do nome mesmo. Aqui temos um adolescente que não ficou muito claro se ele é rebelde, se sofre bullying, se esta amargurado ou se é de fato inteligente. Todas essas características são insinuadas em apenas um breve momento do inicio do filme e da maneira mais superficial possível. Sua motivação para usar o livro é infantil e rasa, uma briga na escola. A aversão pelo personagem não demora nem 3 minutos para surgir e só piora ao longo da interminável 1h40m que se segue.

Como se o Light já não fosse ruim o bastante, ele se apaixona por Mia Sutton (who the hell is she?) personagem que não faz sentido algum. No original Misa Amane é a garota completamente apaixonada por Light, que não mede esforços para ajuda-lo a eliminar o mal do mundo. Mas essa Mia não se encaixa com nada, a relação dos dois é extremamente fraca, sem sentido, num relacionamento que ninguém sabe o porque começou. É um drama adolescente totalmente clichê que deixa ainda mais confuso o roteiro.

Nos originais Light e L não são as únicas estrelas, temos os Shinigamis e Ryuk, é o responsável pela queda do livro no mundo dos humanos. Apenas porque ele estava entediado e decidiu jogar o livro aqui para ver o circo pegar fogo. Feito isso, sua única missão era acompanhar o livro e servir de espectador vip no caos gerado por ele e nada mais. Já na adaptação da Netflix, Ryuk tem influencia direta em cada nome escrito por Light. Sem contar que é um personagem muito pouco explorado, para quem não leu nem assistiu o anime vai ficar a grande dúvida “quem diabos é esse diabo?”. Nem mesmo o CGI utilizado no personagem salvou o monstro a única parte relevante do bicho é a voz de Willem Dafoe.

Fechando o quarteto de personagens ruins temos o pior de todos, o L (why why why why?). É totalmente decepcionante, no original L é um sujeito estranho, excêntrico, racional e totalmente controlado. Que é treinado desde criança para ser o melhor detetive do mundo, e esse treinamento o torna um cara que aparentemente não possui emoções. Já na adaptação temos um L desequilibrado, chiliquento e sem nenhum traço do QI acima da média mostrado nos originais.

O embate épico entre L e Light, que deveria ser o ponto alto do filme. Não passa de uma uma lutinha tosca entre dois garotos mimados, que só querem chamar atenção. Nem mesmo o Death Note de fato é explicado para que serve. Suas inúmeras regras que, Light estuda minuciosamente para aprimorar a forma de matar suas vitimas, são praticamente desprezadas aqui.

Se relevarmos o shinigami, o livro e que é uma obra baseada num anime, ainda assim teremos um filme adolescente muito ruim. Por mais incrível que possa parecer, o live action japonês de Death Note, que também é bem ruinzinho, é incrivelmente melhor do que a adaptação da Netflix.

Autor

Além de ser um dos fundadores do Bacon Side. Tenho 28 anos, formado em Sistemas de Informação, motivo de chacota desde a segunda série, fã de quadrinhos, livros, séries, filmes e Bacon! Recentemente descobri uma aptidão para esse negócio de escrever em sites Geeks!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *