Crítica – Daredevil 2ª Temporada

Cuidado com spoilers da primeira temporada.

Quando anunciaram que a segunda temporada de Daredevil iria ter The Punisher (O Justiceiro) como personagem, já foi possível pintar uma imagem do que seria a temporada, com os confrontos morais de dois personagens que possuem tantas coisas parecidas, porém uma diferença crucial. Isso não é completamente mentira, mas a temporada se desenrola para ser muito mais do que isso.

Se passando apenas alguns meses depois do fim da temporada anterior, e enquanto os 3 personagens principais ainda estão resolvendo algumas diferenças (ou semelhanças?), The Punisher é o responsável por colocar o enredo em movimento, ficando notório quando suas chacinas de gangues criminosas começam a aparecer no jornal. Durante a primeira metade da temporada ele é mais proeminente e obviamente rouba a cena. Jon Bernthal (The Walking Dead) faz um trabalho fenomenal, que vai desde a linguagem corporal até a voz, e incorpora o personagem de HQs de um jeito tão formidável que dá até vontade de ver uma série só dele. O feeling é parecido com o que Wilson Fisk fazia na primeira temporada: você mal pode esperar pela próxima cena dele. Porém as diferenças param ai, pois sabemos que Frank Castle é um clássico anti-herói da Marvel, e é óbvio que não da pra torcer para ele ir parar na prisão como Wilson Fisk foi. A série vai mostrando do que ele capaz, e também os seus motivos, e os seus traumas do passados são bastante convincentes. O seu maior papel é para servir como um espelho para Matt Murdock, para ele ver o que ele pode se tornar se começar a matar os bandidos ou continuar somente os prendendo, e quais as consequências de ambos os casos. Existem lutas e diálogos entre os dois que são memoráveis, para dizer o mínimo. Outra coisa bastante interessante nessa temporada é aquela coisa de identidade secreta, em que o herói tem uma vida de dia e outra à noite, e uma acaba atrapalhando a outra (até demais), e esse drama do personagem é interessantíssimo.

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Do lado menos “super” da série, temos grandes presenças de Foggy Nelson (Elden Henson), que agora confronta seu amigo por se preocupar com sua segurança, e está se saindo muito bem sendo o seu próprio herói, na sua área. Ele não é apenas um sidekick de Matt nos tribunais, ele é um ótimo advogado que sabe fazer o seu trabalho, e o seu desenvolvimento nesse quesito deixa um gancho inesperado no fim da temporada. Já Karen Page (Deborah Ann Woll), que começa a primeira temporada desempregada e sem muito rumo na vida, agora é assistente dos dois advogados, é também indispensável no desenvolvimento do enredo, aonde ela também vai conhecendo sua verdadeira vocação. Mantendo o padrão das séries do Netflix, as atuações são incríveis, no mesmo nível da primeira temporada, com destaque claro para os novos personagens, que não decepcionam.

Tudo que tinha de bom da primeira temporada está de volta, como a fotografia, trilha sonora e edição. Particularmente a edição merece um destaque para contar todas as histórias paralelas que estão acontecendo. Temos uma “homenagem” àquele belíssimo plano sequência da primeira temporada com uma cena ainda mais complicada, sem falar das lutas de The Punisher, que acabam sendo muito mais sangrentas e mortais do que as de Daredevil. Infelizmente, tal qual ocorreu com a primeira temporada, o ritmo da série cai um pouco depois da metade da temporada, e temos The Punisher de certa forma “substituído” por outra personagem, e apesar de estar excelente também, os episódios deixam um gostinho de saudade, coisa que não aconteceu na primeira temporada, pois tínhamos o Rei do Crime o tempo todo como foco. Porém a reta final da série assume um outro tom, mais místico, e empolga novamente. Existem também agora conexões com Jessica Jones, deixando a continuidade mais clara, e nos deixando ainda mais ansioso com o próximo projeto da Netflix, Luke Cage, que estréia ainda esse ano.

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