Crítica – Batman v Superman: Dawn Of Justice

Seguindo o pequeno sucesso de Man Of Steel (2013), que era a última esperança de existir um universo DC nos cinemas, Zack Snyder chutou o pau da barraca ao fazer que a primeira sequência de seu filme de Superman já venha com Batman, e ainda por cima, inspirado na HQ The Dark Knight Returns, que é uma das mais famosas e elogiadas HQs da dupla. A série de mindblowns que a produção criou vem desde a revelação até o último segundo do filme, e era exatamente o que todos nós estávamos precisando.

Batman v Superman começa apresentando o novo personagem, Bruce Wayne, e o mostro em meio a destruição da batalha final de Man Of Steel, porém dessa vez do ângulo de Wayne e dos civis que estão morrendo e sofrendo por causa da luta entre Zod e Superman. A partir daí nós vemos que o olhar de desaprovação de Batman é praticamente o olhar dos críticos, e é interessante ver como as críticas ao primeiro filme chegaram ao diretor e ele foca os seus esforços para melhorar na sequência, do mesmo jeito que Clark tenta ser um herói melhor para um público que o critica por fazer mais bem do que mal. Logo após isso, temos um salto no tempo em 18 meses, para termos um mundo com os pés no chão: o Superman existe, e todo mundo já sabe disso, e agora também Clark já está mais experiente com sua capa vermelha, diferente do herói novato que vimos anteriormente.bvs01

Sem enrolar, vamos falar de Ben Affleck. Ele está excelente tanto como Bruce Wayne quanto Batman. Como Bruce, ele entrega aquele homem traumatizado, que mostra que é humano e tem seus demônios. E como morcego, ele faz um Batman cansado e cruel. Não é que ele ainda não tenha a regra de não matar e vai sair enfiando batarangs nos crânios dos bandidos, mas parece que agora ele já não liga tanto. E devido as circunstâncias do filme, além disso tudo, e está sempre puto. E um Batman puto é o melhor Batman que pode se ver. Do outro lado, Henry Cavill faz o Superman mais sereno, que também é o melhor Superman a se ver, com o dilema clássico de que como ele deve utilizar os seus poderes, ou se ele é necessário mesmo no mundo. Lembrando um pouco o universo das HQs Os Novos 52, que é um dos mais recentes e tem bastante influência no universo da DC nos cinemas, também há momentos que ele fica com raiva e chega a dar medo. Dá até pra imaginar ele num possível Superman maligno se algum dia vierem a adaptar algum arco como Injustice.

O vilão do filme, como se esperado, é Lex Luthor, e já o primeiro twist que acontece é que ele não é o Lex Luthor que conhecemos, mas sim o filho dele, Lex Luthor Junior. Isso explica o porque de Jesse Eisenberg entregar uma atuação inesperada, cheia de ticks nervosos e falas rápidas e complicadas, um personagem totalmente surtado, mais jovem e cabeludo, porém inteligente e cruel como o Luthor que conhecemos (lembremos que Luthor é um dos seres mais inteligentes de todo o universo Marvel DC). Como de costume, o seu principal poder (além de dinheiro) é a manipulação, e o personagem apresentado tem um dom para isso. Ainda não é possível saber o motivo por trás dessa mudança, porém dá pra ver que essa versão do Luthor é mais sádica e cruel do que o Luthor Senior jamais foi, o que o torna um ponto fora da curva no futuro, pois mesmo para quem conhece o universo DC bem e tem noções dos caminhos que podem ser seguidos no cinema, fica difícil de prever o que ele pode fazer.

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E os outros grandes pilares do filme são Lois Lane (Amy Adams) e Wonder Woman (Gal Gadot). Amy Adams entrega muito bem a personagem, assim como fez no primeiro filme. Parecido até demais, pois ela tem o mesmo problema do primeiro: está envolvida demais na ação. Sabemos que a Lois é locona e gosta de ficar no meio da bagunça, mas tenha um pouco de noção, mulher. Por outro lado, temos uma Mulher Maravilha que permeia momentos do roteiro até chegar a sua hora de lutar. Ela claramente não é o destaque do filme, e alguns podem até dizer que o papel inteiro dela foi um fan service, mas ela é crucial para que tenha aquela ligação com o futuro filme da Liga da Justiça. Ela está fantástica, e o cinema foi ao delírio em suas cenas de ação.

Uma das coisas mais legais do filme é que agora parece que Zack Snyder está mais amadurecido, depois de algumas duras críticas que deram a Man Of Steel, e ao mesmo tempo está mais solto para fazer o seu filme. No primeiro, todo mundo já caiu em cima dele para ele não fazer as suas famosas slowmotions, por exemplo, e agora, elas estão no filme inteiro, e são espetaculares. Elas combinam com a enorme magnitude do filme, e junto com a incrível trilha sonora de Hans Zimmer, finalmente dão o tom perfeito para os filmes futuros da DC. Snyder fez com que o filme tenha o mesmo feeling daquele que as séries animadas da DC, como Liga da Justiça e Liga da Justiça Sem Limites, com história interessantes, e batalhas épicas e divertidíssimas de se assistir.

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Completando com os cameos de outros personagens da Liga (se você acompanha as notícias, sabe quais são), que dão aquela vontade de sair do cinema e já querer assistir todos eles, e um incrível gancho do final (porém, óbvio para quem conhece um pouco de quadrinhos e/ou filmes animados), agora a competição realmente existe. Antes, existia a Marvel no cinema, e só. Guardiões da Galáxia e o primeiro Vingadores foram muito bons, mas quando fizeram lixos filmes ruins como Iron Man 3 ou Thor, não tinha para quem reclamar, e eles também não tinham alguém para combater. Se o padrão for mantido de Batman V Superman para cima, a Marvel agora vai ter que se empenhar mais em seus filmes. A DC acabou de disparar o seu primeiro canhão, e esperamos que a Marvel vá para a guerra também. E que haja muita guerra, e muitos filmes bons de ambos os lados, pois ai quem ganha é sempre nós, os fãs.

Renato Dias