Black Mirror: um espelho negro sobre o seu possível futuro

Black Mirror é uma série de três temporadas, produzida inicialmente pela TV britânica Zeppotron, e depois comprada pela Netflix, quando ganhou a atenção de muitas partes do mundo. Seu criador Charlie Brooker explicou que queria mostrar os efeitos colaterais da tecnologia encarada como uma droga, e que o “espelho negro” do título se deve às telas de nossos smartphones, TVs e demais aparelhos tecnológicos, presentes em nossas paredes, em nossos bolsos e em nossa vida como um todo.

Mas a série vai muito além, trazendo visões de futuros especulativos perturbadores e surreais, muitas vezes espantosamente próximos de nós e capazes de criar uma ponte entre a ficção e a realidade.

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Assistir Black Mirror pode ser uma experiência mista, ora gratificante, ora desconcertante. Em muitos momentos, o telespectador poderá pensar: “isso é tão surreal, e ao mesmo tempo tão contemporâneo”, ou então “logo logo estaremos nesse nível de absurdo”. Muitas das minhas reações se aproximaram dessas, era como vivenciar esses possíveis futuros, e me imaginar vivendo neles. Não seria uma experiência muito agradável na maioria das vezes.

As duas primeiras temporadas se focam na nova tecnologia e no impacto dela na vida das personagens. Já na terceira, produzida pelo Netflix, o foco é no personagem inicialmente, e aos poucos a tecnologia vai determinando seus rumos, uma mudança sutil, quase imperceptível, mas impactante em matéria de como contar as histórias.

Alguns dizem que a terceira é mais leve e que é menos distante da nossa realidade, mas eu particularmente não vi tanta diferença.

Os temas provocativos da série

Possibilidade de acessar toda sua memória gravada pelos olhos, copiar a “consciência virtual” de uma pessoa morta e colocar em um novo corpo orgânico, criar um personagem virtual que influencia politica e economicamente um país, extrair uma parte de sua mente para fazer trabalhos não desejados – tudo isso é possível em Black Mirror, graças a suas tecnologias surreais, mas não menos críveis do que a nossa própria.

Algumas pessoas chegaram até a fazer paralelos de um dos episódios, chamado de Urso Polar – em que uma moça corre desesperada de assassinos enquanto várias outras pessoas param para filmar seu desespero – com o episódio brasileiro dos atrasados do Enem, algo que na série parece absurdo, mas que pudemos testemunhar acontecer aqui nas terras tupiniquins.

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A primeira impressão que tive de Black Mirror não foi boa, na minha opinião o primeiro episódio é bom, mas não faz jus ao restante da série, pois trata de uma temática diferente. Se não gostarem do primeiro, deem uma chance aos próximos, a satisfação é garantida. Outra dica é não tentar fazer maratona, a série exige que você pense, saboreie cada ideia apresentada no episódio, degustando suas nuances, para que assim possa digerir tudo isso. Vá por mim, a carga emocional é muito intensa e exige um tempo maior para ser assimilada.

Black Mirrior é daquelas séries que deixam um gosto amargo, e ao mesmo tempo trazem uma satisfação a quem assiste. É uma série para pensar, avaliar e vislumbrar possíveis realidades, paralelas e próximas de nós. É quase um trabalho de futurologistas, tentar prever o que nos tornaremos, e por que não, nos prevenir de certa forma.

Sobre o autor: Rodolfo de Salles
Formado em Designer, especializado em Motion Graphics, escritor, com pretensões de dominar o mundo. Criador da trilogia Absolutos e mais algumas sagas por vir, fissurado em cultura pop em geral, ou não tão pop assim.

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