Crítica: A Lenda de Bóia, mangá nacional que você precisa conhecer

Acho que a primeira pergunta que nos fazemos quando queremos contar uma história é: por quê? Por que queremos contar essa história? A resposta para essa pergunta será aquilo que vai marcar os seus leitores. E eu tenho a maior felicidade de dizer que a resposta que eu vi em “A Lenda de Bóia” me marcou de uma forma tão especial que saiu umas lágrimas no finalzinho da história.

Ok, vamos aos motivos disso. Primeiramente, a arte. Eu não sou desenhista, mas do tanto de mangás que já li e analisei minuciosamente (pq sou dessas), digo que o traço de ALDB (eu vou abreviar pq sim AUSHAUHS) é um traço que as pessoas vão reconhecer em outros lugares. É claro que o traço é influenciado pelas inspirações do artista, mas o Wal Souza conseguiu criar um traço bem original para ALDB. À medida que eu me acostumasse visualmente com o traço, eu COM CERTEZA reconheceria se visse em outra obra. Então, na minha humilde opinião, ALDB arrasou no quesito traço.

No quesito ação, eu achei que todas as cenas desenhadas valorizam a movimentação. Eu tive muita facilidade de imaginar os movimentos, e tudo deu aquele ar tão shounen que eu amo <3 Novamente arrasando!
Agora personagem, contexto e enredo (e olha que disso eu posso falar que eu manjo). Incialmente, sobre o Bóia, eu tenho algo muito importante a declarar: eu quero conhece-lo mais! É muito importante deixar bem definida a personalidade dos personagens em sua primeira aparição, e as personalidades dos dois, Bóia e Kugo, me encantaram de cara. Achei fantástico como vocês trabalharam o Bóia como um garoto… mas um garoto que tem 100 anos. Ficou um equilíbrio legal entre a personalidade infantil e a experiência secular dele que é sutilmente enfatizada em algumas cenas.

O Kugo não preciso nem detalhar: QUERO ELE PRA MIM!! Ter um miquinho desse de mascote ia ser a melhor coisa do mundo!! Ri bastante com ele, principalmente na cena final da história extra.

Contexto. Esse pra mim é o ponto mais forte de ALDB. Eu estou simplesmente LOUCAAAAA pra entender mais sobre o universo em que o Bóia vive, eu só amei de todo o coração como vocês usaram numerações, contagens, nomes e conceitos indígenas de uma forma fiel e SUPER ORIGINAL. Eu devo ter ressaltado quando mandei mensagem para vocês, mas o fato de vocês estarem explorando a mitologia/folclore brasileira dentro de um mangá em estilo shounen… Eu nunca imaginei que ia encontrar uma história que realizaria esse meu sonho de consumo.

Sempre defendi o uso do folclore brasileiro em histórias, porque vamos combinar, nossas criaturas mitológicas são bem hardcore e tem todo o potencial para serem bem explorados. Um super exemplo disso é aquela releitura folclórica no final da história (confesso que me fez ter um treco do tanto q eu achei demais) da Cuca. Dá até aquele pequeno surto criativo (porque eu tambem tenho uma história que vai explorar o folclore brasileiro com essa abordagem de vocês então SIM VCS ESTÃO INSPIRANDO OUTROS ARTISTAS!!!).

Enredo. Chegamos finalmente no ponto que explica minhas lágrimas do começo do texto. O enredo desse primeiro volume é extremamente simples. Mas lembrem-se meus amores: complexidade nunca foi sinônimo de um bom enredo. Muitas vezes, o simples é a melhor saída, e a prova tá purinha aqui ó, em ALDB. O Léo D. criou um enredo acessível para uma faixa etária muito ampla, leve e muito gostosinho de ler. E exatamente por ser simples. Mas o mais importante: o enredo passou a mensagem que o Leo D. queria: a proteção da nossa maravilhosa e menosprezada fauna. Eu achei tão lindo a forma singela que foi abordada essa mensagem forte,que eu até indicaria ALDB pra ser distribuído a rodo nas escolas pra trabalhar essas temáticas de preservação e tudo mais. E sim, eu chorei na hora que eu vi que o tatu tinha morrido.

Eu fiquei tipo QUEM FOI O FILHO DA *** QUE ENVENENOU ESSAS MANGAS ?? VEM AQUI Q EU VOU LHE ARRANCAR O COURO! VOCÊ MATOU UM TATU! UM TATUZINHO BOLA SUPER FOFO (é eu sou dessas que não aguento ver morte de animais)!! Ah, e não posso esquecer o quanto me emocionou o fato de o Bóia ter se importado tanto em salvar o tatu, tanto quanto vemos em tantos shounens os protagonistas querendo salvar a vida de uma pessoa.

ALDB defendeu maravilhosamente a sua proposta, encaixando o contexto de forma perfeita: os índios tratam os animais e os humanos como iguais, toda vida é extremamente valiosa e digna de ser salva. Essa mensagem realmente me tocou lá no fundo do meu core.

Bom, eu já falei um milhão de coisas, deve estar todo mundo “manda essa menina parar peloamordeDeus”, mas vou arrematar com um bônus. Além de tudo que citei anteriormente, existe uma coisa especial em relação a ALDB: a equipe envolvida no projeto. Eu fiquei muito interessada pelo projeto e decidi mandar uma mensagem de apoio. Imagina a minha felicidade de receber uma resposta tão amorzinho do autor? Imagina umas pessoinhas muito preciosas que merecem todo o apoio, dinheiro e reconhecimento do mundo? Vocês conquistaram o coração de uma leitora fissurada em livros e mangás e o respeito de uma escritora em ascensão. Estarei sempre ligada no progresso de vocês, apoiando com o que eu puder, e quero muito que vocês alcancem o que quer que vocês desejem no fundo do coração de vocês! O projeto de vocês é lindo! EIS O NASCIMENTO DE UMA FISSURADA EM A LENDA DE BÓIA!!

Autor

Estudante de Biotecnologia, apaixonada por livros, animes, mangás e jogos. Mesmo metida num laboratório 5 dias por semana, meu grande sonho é ser uma escritora. Um grande amigo me indicou a Bacon Side, e agora faço parte da família nerd/geek/otaku mais diva da internet!

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